NOTA TÉCNICA: AGROTÓXICOS
E CÂNCER
Ministério da Saúde
Instituto Nacional do Câncer
Coordenação de Prevenção e Vigilância
do Câncer
Após revisão bibliográfica,
podemos observar que a maioria dos estudos realizados encontra associação
entre agrotóxicos específicos e câncer, em sua
maioria, para compostos organoclorados e alguns herbicidas, como o
2,4 D.
Autores como Solomon et al. (2000)
e Clapp et al (2007), ao realizarem uma extensa revisão bibliográfica
sobre o assunto, encontraram artigos que relacionam agrotóxicos
a diversos tipos de câncer, aí incluídos os cânceres
hematológicos, do trato respiratório, gastrointestinais
e do trato urinário, entre outros.
Além destes, muitos estudos
relacionam grupos químicos, como organofosforados e carbamatos
e/ou classes, como fungicidas, a diversos cânceres e exposição
ambiental ou ocupacional, porém sem especificar substâncias
separadamente (Ekström et al, 1999; Alguacil, et al. 2000; Mao,
et al. 2000; Ji, et al. 2001; McDuffie et al, 2001; Sharpe, et al.
2001; Waddell, et al. 2001; Zheng, et al. 2001; Hu et al, 2002; Alavanja
et al, 2003, entre muitos outros citados nas referências). É
preciso lembrar que também existem diversos estudos que não
encontraram associação entre o uso de agrotóxicos
e o desenvolvimento de câncer.
Uma exceção a este
cenário, dentre os agrotóxicos solicitados para revisão,
é o herbicida Glifosato (glicina substituída). Para
esta substância foram encontradas referências que relacionam
diretamente este ingrediente ativo a ocorrência de Linfoma não
Hodgkin (Hardell, 2002; Cox, 2004; De Roos et al, 2003) e Mieloma
múltiplo (De Ross et al, 2005). Além do Glifosato, artigos
apontam para uma associação positiva entre o uso de
Carbofurano (metilcarbamato de benzofuranila) e o desenvolvimento
de câncer de pulmão (Bonner et al, 2005) e entre o uso
do herbicida Paraquat e tumores no sistema nervoso central (Lee et
al, 2005).
A Agencia Internacional de Pesquisas
em Câncer (IARC) classificou tanto óxido de etileno e
2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD) como comprovadamente carcinogênicos
para humanos, ou seja, pertencentes ao Grupo1. .
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