Justiça
suspende liberação de milho transgênico da Bayer
Em
decisão publicada em 25/07/2010, Justiça Federal do Paraná
anula a autorização da liberação comercial
do milho Liberty Link da Bayer e reprova atos da CTNBio
A
disputa envolvendo transgênicos ganhou um novo capítulo
em sua história. Por decisão judicial, a Bayer está
agora proibida de comercializar o milho Liberty Link - resistente ao
herbicida glufosinato de amônio - em todo o país pela ausência
de um plano de monitoramento pós-liberação comercial.
A juíza federal Pepita Durski Tramontini, da Vara Ambiental de
Curitiba, também anulou a autorização da liberação
especificamente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil por não
haver estudos sobre os impactos dessa tecnologia nos biomas dessas regiões.
Pela
sentença, a Bayer será multada em 50 mil reais por dia
caso não suspenda imediatamente a comercialização,
a semeadura, o transporte, a importação e até mesmo
o descarte do Liberty Link.
De
acordo com a sentença, a ratificação dada pelo
Conselho de Ministros (o Conselho Nacional de Biossegurança)
à autorização do milho também não
se sustenta, pois tal decisão ministerial se baseou em ato viciado
da CTNBio.
A
CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança,
responsável pelas liberações de transgênicos
no país, foi obrigada a garantir amplo acesso aos processos de
liberação de transgênicos. Deve ainda estabelecer
norma com prazo para que os pedidos de sigilo comercial sejam decididos,
permitindo publicidade a tudo o que não for sigiloso. Desde 2007,
as organizações da sociedade civil criticam o bloqueio
ao acesso aos procedimentos de liberação, que viola o
direito à informação e é incompatível
com a publicidade garantida aos documentos de interesse público.
A
decisão da Justiça refere-se à Ação
Civil Pública movida em 2007 pelas organizações
Terra de Direitos, AS-PTA, IDEC e ANPA, para exigir da CTNBio a adequada
análise de riscos à saúde e ao meio ambiente, a
informação e a não contaminação genética
- direitos fundamentais dos cidadãos. A ação contesta
a liberação do milho transgênico devido à
falta de prévia definição de normas de biossegurança
por parte da CTNBio de coexistência entre cultivos transgênicos
e não transgênicos e de monitoramento; à falta de
estudos ambientais nas regiões Norte e Nordeste; à falta
de acesso aos processos de interesse público.
Contaminação
em curso
Apesar
de a Comissão ter editado a Resolução Normativa
4 (RN 4), estudos recentes no Paraná apontam a ineficácia
das normas de coexistência para o milho, o que coloca em risco
toda a sociedade pela falta de segurança no plantio transgênico(leia
mais). No ano passado, as organizações entraram com uma
nova Ação Civil Pública, questionando dessa vez
a insuficiência da norma, mas que até agora aguarda decisão
judicial.
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de julho de 2010, Estadão