Argentinos dobram área
plantada de soja no MT
Fonte: Diário
de Cuiabá
Apesar da crise que o setor agrícola vem enfrentando, um grupo
argentino que está investindo na sojicultura em Primavera do
Leste (123 quilômetros de Rondonópolis) dobrará
a área de soja na safra 06/07 em relação à
safra 03/04, quando se instalaram na região. A área de
plantio deste ano será de 17 mil hectares (ha) ocupados com a
soja transgênica.
O grupo argentino El Tejar S/A, através da unidade
da empresa no Brasil, a empresa O Telhar Agropecuária LTDA, instalada
em Primavera, investe na rotatividade da terra e, além da soja,
já planta sorgo, milho e milheto.
Em entrevista concedida ao Diário, o gerente
da unidade brasileira do Telhar, Javier Angio, e o engenheiro agrônomo,
Juan Pablo Di Giacomo, disseram que está tudo pronto para iniciarem
o plantio no dia primeiro do próximo mês e que a expectativa
da safra é colher acima de 50 sacas por hectare. A propriedade
está localizada a 110 quilômetros de Primavera do Leste
e é formada pela integração de 11 fazendas, cuja
produção atual é responsável por mais de
10% do faturamento do grupo argentino El Tejar.
A produção dos investidores estrangeiros,
exceto no primeiro ano de experiência de plantio no Brasil, está
acima do obtido pelos produtores da região de Primavera do Leste.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística
(IBGE), a média de colheita da safra 03/04 foi 47 sacas por hectare
(ha) e o grupo, que plantou 6,8 mil/ha, colheu apenas 38 sacas/ha. O
baixo índice é conseqüência da dificuldade
que tiveram com a ferrugem e a seca na região. Mas creditaram
à diferença da técnica de plantio entre os dois
países a maior causa da baixa produtividade, além do registro
da ferrugem asiática, doença que não existe em
grande escala na Argentina.
Na safra 04/05 colheram 48 sacas/ha em uma extensão
de plantio de 9,2 mil/ha e a média da região foi de aproximadamente
42 sacas/ha. No ano passado plantaram 7,1 mil/ha e colheram 45 sacas/ha,
sendo a média dos produtores de Primavera do Leste de 42 sacas/ha.
Eles revelaram que adotam a técnica de plantio direto, sem mexer
na terra e sem fazer nivelamento. Após a colheita deixam a palha
para que, mesmo com pouca chuva, a terra permaneça úmida
para beneficiar o próximo plantio.
Segundo eles, são tomados outros cuidados como
o plantio adiantado, com o uso de variedades precoces. O grupo trabalha
seguindo as diretrizes da Fundação de Apoio à Pesquisa
Agropecuária do Estado (Fundação MT) e dos pesquisadores
da ferrugem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Javier garante que para eles este método vem
surtindo efeito. Do ponto de vista dos argentinos, Mato Grosso, é
o Estado com maior potencial para o desenvolvimento da cultura e em
breve, o país será o maior produtor mundial de soja.
Vocação:
O grupo possui uma forma de empreender diferenciada,
pois não investe na aquisição de áreas e
de maquinário, apenas arrenda a terra e terceiriza os serviços.
O cultivo da soja, bem como do milho, trigo e girassol, já foi
estendido para outros três países: Argentina, Uruguai e
Bolívia. No total são aproximadamente 170 mil/ha de área
plantada na América do Sul, com 120 mil/ha na Argentina, 30 mil/ha
no Uruguai, 17 mil/ha no Brasil e 7 mil/ha na Bolívia. A meta
do grupo é atingir 200 mil/ha de área plantada até
2010. Para 2020 o objetivo é chegar a 400 mil/ha.
Eles comentam que na Argentina é muito fácil
plantar soja e que se colhe, em média, 58 sacas/ha no verão
e de 40 a 45 sacas/ha na safrinha, depois do plantio do trigo. No entanto,
a falta de áreas disponíveis e a elevação
do valor do arrendamento da terra, tornaram viável o investimento
do grupo em outros países. Eles destacam que embora o valor do
arrendamento na Argentina seja caro, o custo de produção
é baixo. No Brasil ocorre o contrário.
No entanto, a distância do porto até a
área de cultivo naquele país é de 300 quilômetros.
Já de Primavera do Leste até Santos ou Paranaguá
são 1,7 mil quilômetros. De 2003 até agora, conforme
levantamento do Telhar, o gasto com fretes e no combate à ferrugem
fez subir o valor do custo de produção em US$ 120 por
hectare. Segundo eles, o custo da produção atualmente
no município oscila em torno de 32 sacas de soja por hectare,
incluindo os gastos com plantio, colheita, gerenciamento, arrendamento
e terceirização de serviços.
Por enquanto, segundo eles, o investimento
primordial da unidade no país está voltado ao plantio
da soja para exportação e depois ao milho, voltado para
demanda do mercado interno para dar rotatividade à cultura. No
ano que vem já iniciarão o plantio de algodão e
estão estudando a possibilidade de entrarem também no
mercado da cana-de-açúcar.